terça-feira, janeiro 31, 2006

Há algo de azul na tua essência

foto de Sílvia Antunes

Há algo azul na tua essência...
Voo sagrado, sem partida, sem ausência...
Talvez transportes contigo a claridade do céu de Abril!
Talvez espalhes no meu corpo estrelas por nascer, cor de anil...
Talvez surjam do teu sorriso os pássaros que me libertam a alegria...
Talvez tu, só tu, me reconheças atrás da sombra... e faças a alquimia...a noite é dia!
Há algo azul na tua essência...
Cálice irmão do Graal, negação do mal, que guarda a nossa inocência...
Talvez esteja nos teus olhos de água cristalina a luz musical, imaterial, dádiva divina!
Talvez sejas a certeza de um caminho, a única rua sem esquina...
Talvez habite em ti o meu anjo! No teu abraço, na tua ternura, no teu enlaço...
Talvez tu, só tu, ouças o meu canto, outrora calado, outrora pranto...
E do meu querer-te, tão singelo, tão menina ainda... talvez só tu saibas o quanto...
Há algo azul na tua essência...
Aroma de sol, sabor de rouxinol, som de nuvem... vício sem dependência...
Talvez toques o meu nome, o meu eterno sinal...
Talvez conheças a senha do meu portal atemporal...
Talvez sejas da minha terra o sal...
Mas há algo azul na tua essência... talvez a cor da minha existência!

Texto de Nina
http://www.marninamar.hpg.ig.com.br/

sábado, janeiro 28, 2006

The final cut...

foto de Sílvia Antunes

And if I show you my dark side
Will you still hold me tonight?
And if I open my heart to you
And show you my weak side
What would you do?
Would you sell your story to Rolling Stone?
Would you take the children away
And leave me alone?
And smile in reassurance
As you whisper down the phone?
Would you send me packing?
Or would you take me home?

The Final Cut - Pink Floyd

quarta-feira, janeiro 25, 2006

o tempo

foto de Sílvia Antunes
É claro que o tempo passa e tudo se sente e muda, mas tudo o que fica, é a pureza que não se desmente com o rolar dos ponteiros, ou a ausência permanente.Por vezes é bom ficar "só" durante uns tempos, pois o tempo que aparenta ser perdido, é tempo ganho na certeza e auto-satisfação de o ter.
Bruno Venâncio

gosto que viajes a meu lado

foto de Sílvia Antunes
http://www.silviaantunes.com

Gosto que me faças companhia. Que viajes ao meu lado.

Gosto de saber que apontamos os dois os mesmos lugares no mapa, quando procuramos sí­tios novos onde descansar o corpo e alimentar a alma.

Gosto de saber que sorrimos com os mesmos lugares-comuns, que nos arreliamos com as mesmas patetices, que choramos, cúmplices, com as mesmas lamechices.

Gosto de saber que sabemos ao que vamos, que não existem surpresas, que tudo é natural, real, normal.

Gosto de saber que existe sempre a liberdade de sair, de abrir a porta em andamento e de dizer adeus. Sem ressentimentos. No strings attached.

Gosto de saber que, se o não o fazemos, é porque a viagem é interessante e o ponto de chegada - ou até, quiçá, as escalas técnicas que se fazem ao longo deste percurso que fazemos a dois - são algo que nos atrai, algo que nos fascina, algo que nos completa, algo que afasta o receio, o medo ou a rotina que qualquer viagem sempre induz.

Gosto de saber que somos felizes porque somos capazes de usufruir, sem culpa, os momentos de prazer e de aceitar, com serenidade, as inevitáveis fases de sofrimento.

Gosto de saber que não me magoarás. Só o farias se fosses cruel, por natureza, e eu sei que o não és. Sei que se a viagem acabar hoje, ou amanhã, ficará sempre o lugar que preencheste, vazio ao meu lado, e esse espaço ninguém me o tira. Ou ocupará. Quero que saibas, também, que não te vou magoar. Não o quero, não preciso.

Gosto de saber que, seja qual for o destino da viagem, seja qual for a sua extensão, só o facto de a ter iniciado, na tua companhia, é motivo de alegria, é o que ganhei e que não perdi.

Vem, senta-te ao meu lado. Gosto-te.


Texto de Alexandre Monteiro

domingo, janeiro 22, 2006

às vezes gostava de saber escrever...


foto de Sílvia Antunes
http://www.silviaantunes.com


Às vezes gostava de saber escrever
Para te dizer palavras doces
Às vezes gostava de saber pintar
Para te pintar em tons de azul
Fazer de ti o meu céu
Para poder voar sem limites
Fazer de ti o meu mar
Para o meu corpo molhar nas tuas aguas
Depois sentarmo-nos-íamos numa nuvem
Simplesmente para contemplar o nascer do sol


Janeiro 2006

vai e voa...


foto de Sílvia Antunes
http://www.silviaantunes.com


Há alturas em que o nosso caminho se cruza com muitos outros caminhos
Como dizem todos os poemas e reflexões optimistas que por aí circulam
“Nada acontece por acaso” e “cada pessoa na nossa vida tem a sua missão”
Houve um tempo que os nossos caminhos se cruzaram
Chegou finalmente a hora de seguires o teu
Firme e confiante
Vai e voa
Corre atrás do teu sonho
Algures no horizonte, estarei por perto.

Janeiro 2005

esta noite sonhei...


foto de Sílvia Antunes
http://www.silviaantunes.com


O sono insiste em não aparecer
Perco-me em pensamentos
Levanto-me
Abro a janela,
E lá está ela
Grande, linda e brilhante
Observa-me com um olhar penetrante
Envolve-me com a sua luz
E de repente sinto-me abençoada
Solto-me dos meus pensamentos
Saío de mim
E voo como nunca voei
Num mundo de sonhos imensos
De luzes, de cores, de sons e silêncios
Por momentos fui feliz
Obrigada por seres a minha lua
Mesmo sem o saberes


3 Julho 2004 Meia noite

sexta-feira, março 11, 2005

chove na rua

foto de Sílvia Antunes


Chove na rua. Chove intensamente como se o céu se tivesse cansado de se conter e resolvesse romper em pranto.
Chove com força esta chuva, este vento, este tempo.
Mas cá dentro...
Cá dentro tudo é tão diferente. Há calor, há sede, há ruídos de pouca gente.
Ouve-se o crepitar da lenha, o estalar da madeira decalcada pelos teus e meus passos. Ouve-se o gotejar na caleira, o passar das horas, o despejar do chá da chaleira.
Serenamente ensaiamos um beijo e depois outro e ainda outro.
Com o coração nos olhos seguimos as linhas que os nossos corpos destacam no escuro iluminado pelo fogo da lareira. As mãos estão quietas, contidas uma dentro da outra.
O abraço está próximo.
E lá fora chove, chove realmente.
Quando me pedes, despeço-me do vestido e peço abrigo ao teu abraço. Quando me sorris, demoro-me no deleite desse sorriso de chocolate quente. Quando me sussurras, procuro guardar o doce daquilo que me dizes, em papelinhos de algodão que guardo no coração.
Quando dentro de uma casa se perde a noção e a medida do tempo... quando se esquecem as palavras e se usam os olhos para longas e demoradas conversas....
Quando as pontas dos meus dedos se soltam do juízo e da razão e se aventuram no mar das tuas costas, na areia dos teus cabelos, na água dos teus olhos, nas covas que retêm o teu sal...e a minha pimenta...
Quando o teu calor passa para mim e se aloja na minha pele. Quando o teu odor se confunde com nuvens de papel.
Quando o relógio anuncia com badaladas sonoras os momentos suaves, culminantes dos prazeres passantes.
Enquanto tudo isso acontece... enquanto a lava arrefece...
Lá fora chove copiosamente.

Texto de Migui

http://www.fotopt.net/autor.asp?autor=5672



segunda-feira, fevereiro 28, 2005

arquitectura do desejo


foto de Sílvia Antunes

Como uma forma de encantamento mergulhei em lugares de desejo. Vagueámos por entre alamedas de árvores. Seguimos caminhos iniciáticos, como um nascer, ou um renascer que se anseia. Andámos por percursos de água e de luz. Nada nos fez recuar perante desafios, pois sabíamo-los recompensados. As atenções da descoberta, o gozo da partilha estiveram sempre presentes.
Os símbolos chegaram até nós como mensagens, códigos que tentámos desvendar. Nos teus olhos a limpidez da água que bebemos. Na minha boca a frescura do teu beijo.
A descida em espiral ao fundo do poço sugeriu-nos a passagem das trevas para a luz. Caminhámos por cima da água num aparente equilíbrio instável.
De novo, no jardim, encantaram-te as camélias que se aconchegaram no meu peito e vimo-nos personagens de um romance, de uma peça de teatro, ou de uma ópera naquele fantástico espaço cénico.
E tão fantástica como a luz, que coada das janelas se projecta em sombras no chão de mosaicos, tão fantástico é o desejo e o amor que se espaçou em mim. Fantástico também é o gosto desejar o desejo e o carinho que há em ti.

texto de Margarida Araújo

http://100sentidoconsentido.blogspot.com/

domingo, fevereiro 13, 2005

... afinal quem és tu...

"e afinal quem és tu, Sílvia desconhecida, o que te faz correr?"
 
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